caldo de tipos

...só um blog !!

15.10.09

Chega!

De dizer sempre sim

de sorrir e esperar

de dizer obrigado

de esperar ser beijado

de sonhar com teu corpo

de imaginar o futuro.

Enfastiei,

chateei-me,

vou passar a qualquer hora

derrubar a porta e o portão

agarrar-te pela cintura,

beijar,

todos os beijos sonhados,

despir-te,

sem recato ou parcimônia,

num só ato!

Quero teus seios

não mais no imaginário dos meus sonhos,

mas firmes, em minhas mãos.

Quero solta a tempestade,

que brota em meu coração,

e por volta da meia noite

quero estar embriagado,

de amor, aguardente e sexo,

para em alto e bom som

recitar poemas caducos,

eróticos, sensuais, pornográficos!

Nesta hora então,

vou gritar para o povo ouvir

palavras de baixo calão

vou enxotar os caretas, os padres

os moralistas, os ranhetas,

caiam fora os estetas

e seus modelos de história,

suas maquetes de vida,

firmadas no vazio das almas.

Vou rasgar os dicionários

e inventar novas palavras,

que também nada dirão,

que nunca demonstrarão

o prazer de possuírmo-nos!

A mente, o corpo, o sexo

a luz, a rua, o tempo

o deleite, o grito, o gozo

e por fim,

o gosto de nosso néctar

umedecendo o chão,

no olho do furacão!

E não haverá, nunca mais

segundos, minutos e horas

dias, meses ou anos

só nós,

o antes

o depois...

(postagem 243 – ouvindo Basta de clamares inocência, com Lia Sabugosa – bebendo Cachaça de Santo Antonio da Patrulha)

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4.10.09

ASTROS, URBE & AMOR

Tem um cantinho do céu
no lado escuro da lua
onde crio pequenas estrelas
coisa pouca,
nove ou dez,
não sei direito.
Algumas fogem e voltam,
outras vão e desaparecem,
correndo,
deixando um rastro de luz,
poeira luminosa e branca!
Todas as noites,
em horários diferentes,
só para surpreendê-las,
vou motejar com meu rebanho
chego quieto, devagar,
no ombro
um alforje de couro cru,
na mão direita
o sorriso dos meus filhos,
na esquerda
um cajado de pessegueiro.
Sento num canto qualquer
em alguma nuvem distraída
e retiro com cuidado,
da bolsa de couro surrada,
um pequeno livro, abradido,
e em voz baixa
para não acordar meus fantasmas
leio histórias
naturais e sobrenaturais,
lendas de fadas e reis,
dragões, princesas e ogros.
Aos poucos vão se acalmando
minhas pequenas estrelas
e, uma a uma,
adormecem.
Guardo,
então,
o saltério, em silêncio,
levanto meu corpo
ainda jovem e rijo
e pé ante pé
retorno
para o burburinho urbano
das sirenes e dos policiais.
Sento sobre o gramado
em posição de lótus,
padmasana,
e entoando um mantra sagrado
aguardo o nascer do sol.
Barulho de pratos, xícaras e talheres
vindo da velha cozinha
denunciam, com o aroma
o café quentinho e forte
que Ana está preparando.
Sorrindo entro em casa,
começou um novo dia.
(Postagem 243, ouvindo Samba de Verão com Julie Philippe e bebendo Vinho Branco Santa Ana, argentino)

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1.10.09

.RELATIVO

Dentro de mim

corre um rio

escuro,

profundo

e bravio,

que não corre para o mar.

Procuro em você

o meu eu,

para, egoísta,

que sou,

decifrar-me

e depois,

com todo o prazer,

devorar-te,

enfim.

Entre suspiros,

carícias e líquidos,

feito temporal

despeja lava,

o revolto rio,

em seu corpo terra

onde,

entre retalhos de amores

passados

desenho, milimetricamente

o mosaico

de nossa futura afeição.

Reta inexistente

em nosso curvo universo

paralelo.

Entre teu peito

e minha alma,

uma geodésica nos une,

segue o rio,

pelos finos sulcos

dos arrepios da pele.

(postagem 242 – ouvindo Djavan – “Oceano” – bebendo Pisco Peruano)

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12.9.09

................OURO

Entre o espaço milionésimo

das notas musicais

faz-se o silêncio

e da distância perfeita

entre uma e outra

surge a musica

entre o espaço milionésimo

do diafragma e a voz

surge a canção

do silêncio

antecipando a primavera

surge do Ypê

a amarela flor

do fim de inverno

ainda faz frio

no hemisfério sul

mas os Ypês

desrespeitando

os calendários oficiais

despertaram

em roxo e amarelo

as avenidas

ainda silentes

das aldeias

cidades e capitais,

dormem as crianças

dorme a amada

entre o espaço milionésimo

da batida da faca na tábua

ao cortar a cebola

as ervas e os temperos

o sabor invade a casa

antecipando o almoço.

lá fora

um sol tímido

iluminando o verde da grama,

torna, até possível,

imaginar a paz...

(postagem 241 – ouvindo Imagine – John Lennon – bebendo suco de laranja)

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27.8.09

Campanha Não Homofobia

25.8.09

ENSAIOS IV

Não queria de teu amor
respingos de indiferença,
nada que formasse sentença
ou se transmutasse em dor
.
deste banquete findo
não cobicei tua simples penumbra
mas a intensa luz rubra
de tua boca sorrindo
.
longe a pintura embotada
do cálido e tíbio entardecer,
que na vida me fez padecer
convertendo o pleno em nada.
.
deixei os sorrisos de desdém
para os inermes, na relva
audacioso, transformei a urbe em selva
calei o fogo da alma, feito ninguém
.
imaginando outra biografia,
peregrino, desfiz os brilhantes falsos,
do rosário, onde aos percalços
fingias rebuscada fidalguia
.
do amor riscado em versos
desenganado, fiz comércio barato
comédia singela, em um só ato
para loucos e dementes diversos
.
os insanos, em poetas disfarçados
anteviram a cada metáfora inventada,
desconstruída e em rima pobre cantada,
muito mais que amores forçados
.
mas, tudo de nada adianta
de teu amor descartável, não resta
nem o beijo, a boca ou a festa
em ti, nada mais me encanta!
.
hoje, minha boca se alimenta
de outro carmim encarnado,
perdeste este jogo encantado
do nada, um straight flush, se inventa!
.
no rosto, nem remorso nem amém
nada de culpa ou falsa escusa,
conhecendo tua mente obtusa,
eternizei um sorriso de desdém!
.
(postagem 240 – ouvindo My Way – Frank Sinatra – bebendo Akvavit dinamarquesa)

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24.8.09

É SÓ MAIS UM SEM TERRA

Na desocupação da Fazenda Southall, ordenada pelo Juiz de São Gabriel, a Brigada Militar, com uma tropa de duzentos e quarenta e seis homens e sua tradicional truculência matou um sem terra, ELTON BRUM DA SILVA. em cima deste fato, como também já é tradicional, surgem as diversas versões, como que a querer explicar o inexplicável. Os sem terras estavam todos, com as mãos na cabeça, com a cara no barro, quando ouviu-se o tiro de espingarda calibre 12 o grito de Elton e o rombo em suas costas, sim, o tiro foi nas costas, apesar disso, tem testemunhas do lado da brigada, afirmando que Elton estava discutindo. Pergunto, se estivesse, era motivo para ser morto?
Ninguém quer fabricar mártires e muito menos tornar-se um, no entanto, a Grande Imprensa insiste em dizer que o MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA - MST, "conseguiu" um mártir. Ora, Elton não queria ser Mártir, queria terra para trabalhar, lutava por um mundo melhor, por um trabalho digno, por terra trabalho e pão! Dizem, ainda, que uma morte caiu no colo da governadora, discordo, acho que nada caiu no colo dela, simplesmente ela que já tem as mãos sujas, agora as tem sujas de sangue, ou quem voces acham que apertou o gatilho? O soldado da Brigada? O comandante da operação? O Juiz que ordenou o despejo a qualquer custo? O secretário de segurança? Os fazendeiros da região, que além de comemorarem a morte, acaharam pouco só um? A governadora que naquele dia, estava em Santa Maria e avisada sobre a morte, preferiu comentar sobre a qualidade dos galetos que saboreava, na região? TODOS sujaram suas mãos, pois foram coniventes com o que acontecia, sabiam que a brigada portava armas letais e nada fizeram para evitar o pior.
(Dizer que a morte caiu no colo da governadora equivale a isentá-la do crime, ela nada sabia, de repente, um cadáver lhe cai ao colo! Ora, a mão dela ajudou a puxar o gatilho, a morte de Elton não apareceu do nada, foi fruto de uma política! Da linha política adotada pela Governadora!)
Sem falar que todos os integrantes do movimento foram individualmente cadastrados e revistados, na mais tradicional forma de desqualificar os movimentos socias, criminalizando-os, esta a nova forma de governar !
Ao tentar homenagear Elton, deparei-me com esta, linda, emocionante e inteligente, como só se poderia se esperar do meu amigo Cesar S. e seu Animot : http://animot.blogspot.com/2009/08/para-o-trabalhador-elton-brum-da-silva.html

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