TUDO FINDA
No dia em que nosso amor morreu
você desceu as escadas de branco
e não senti o almíscar de teu perfume.
Na oportunidade finita do enlace
caminhaste descalça na chuva,
sobre o negro fumegante do asfalto
e não segui ao lado de teus passos,
dançastes uma valsa, o rosto para o céu,
a chuva e as lágrimas banhando teu rosto
eu sentado, nú com a minha dor,
na cama nem desfeita, nem composta.
Você sorriu para os transeuntes
e na retina de teus olhos o reflexo não era eu.
No dia em que nosso amor morreu,
o batom que esquecestes no toucador
quebrou, enquanto escrevia - te amo -
no vidro vagabundo do espelho do banheiro.
No dia em que nosso amor morreu
você saiu
eu fiquei,
tomei café preto,
comi uma fatia de pão com manteiga,
abri as cortinas da sala
iluminei meu coração.
Voltei a ser um,
voltaste a ser todas.
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