Sr. F. ou HAY QUE ENDURECER
Fugindo um pouco do meu cotidiano, vou apresentar, hoje, uma poesia que fiz em homenagem a um amigo. Um amigo que não conheço pessoalmente, apesar de tê-lo tido muito perto, pois morou aqui, nesta aldeia, a que ele, tão bem denominou, de Cratera Urbana. Nos conhecemos virtualmente e mesmo assim pouco, mas este pouco é suficiente para a admiração que tenho por ele. Fagner estudou aqui, na Universidade, se formou e, ao contrário de tantos como nós, que buscamos transformar o mundo no conforto da urbe, que, radicalmente defendemos nossas idéias em blogs ou mesas de bar, foi à luta, literalmente. Ligado a esquerda e a vontade pessoal de fazer parte de um mundo melhor, ele não relutou, deixou, aqui, uma carreira, certamente brilhante, dado ao seu perfil, e foi. Foi para o norte, para a Amazônia, para o Pará, agir e lutar pela tão sonhada Reforma Agrária, pelo desenvolvimento sustentável, pela ecologia, pela mata, pelo peão, pelo sem-terra, por nós e o nosso mundo melhor! Sr. F, como o tratava e como assinava o Blog Cratera Urbana, tem hoje, o Blog Cartas do Front norte, entendo seu pouco postar, apesar de egoisticamente, esperar o dia em que ele passe a nos mandar estas cartas diariamente.
Existe em nossos corações
além do vermelho das bandeiras
a esperança, que naturalmente
o mundo vá se transformando.
Lutamos por isso
com as armas que temos
a par disso
com a mão solenemente posta sobre o peito
nos orgulhamos
de fazermos
o máximo que nos é possível
Mas a saudade
Que me açoita
da cerveja que não sorvi
com o amigo que não conheci
me traz a lágrima ao olho
de constatar
que é pouco o meu obrar!
Trabalho na superfície
enxergo até onde meu olho míope alcança,
com a claridade do dia!
Nos tempos de hoje
é o que se pode fazer
dizemos, num arremedo de culpa
e triste resignação.
Mas nos tempos de hoje,
como nos tempos de outrora
a bruta e fria realidade
nos bate na cara e mostra
que o sal que vinga a terra
é fruto de outra estirpe!
É laborado por homens
que não ficam na superfície
que enxergam além
do que a claridade do dia
e o estofado de nossas poltronas
permitem!
Neste enxergar, vão em frente
com a peleja ao lado
irmã.
Riem, choram, sofrem
bebem, brigam, amam
assim como todos nós
mas são gigantes!
O norte que vislumbramos
foi por eles desenhado!
Há que saudade eu tenho
Da cerveja que não bebi,
Junto a ti,
que acima do cotidiano,
de Justiças ou injustiças,
piadinhas e abjetos sorrisos
nas ante salas jurídicas
foi construir o norte,
o seu norte!
Foi bacharel,
ser doutor na Floresta!
companheiro!
(postagem 234 – ouvindo Violeta Parra – bebendo chimarrão)
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